Luigi Ponti, Investigador Científico, ENEA, Equipa de coordenação MED-GOLD

Pode descrever em algumas palavras o projeto MED-GOLD?

O projeto MED-GOLD é sobre transformar informações relacionadas com o clima em valor agregado para os sistemas tradicionais de cultivo no mediterrâneo, como a uva, azeitona e o trigo duro. Na Europa há uma grande quantidade de informação relacionada com clima proveniente de diferentes origens, como satélites, observações e modelos climáticos, que descrevemos como sendo programas de Observação da Terra (por exemplo, o Copernicus é o projeto europeu). É um problema transformar a enorme quantidade de informação climática em informação de valor para a sociedade, em particular, para a área agrícola. No MED-GOLD tentamos estabelecer essa ligação entre dados e informação e o seu valor para a sociedade.

Porque é importante o envolvimento da comunidade no desenvolvimento dos serviços climáticos MED-GOLD?

Quando falamos na falta de valor queremos dizer falta de valor para os utilizadores. Por essa razão, adotamos uma abordagem onde temos como base a necessidade do utilizador e onde estamos, em conjunto, a desenvolver e a idealizar o projeto. Isso garante que os serviços desenvolvidos terão valor para o utilizador.

Até ao momento, quais foram os principais desafios?

Basicamente, encontramos os mesmos desafios que motivaram a proposta. O fato dos dados climáticos não apresentarem valor suficiente para a sociedade foi o conceito teórico para nós quando recebemos a proposta, mas como o projeto está a ser desenvolvido estamos a lidar e a enfrentar problemas que surgem na prática. Existe também problemas com a terminologia usada. Eu, engenheiro agrónomo, percebi que nós, investigadores, usamos palavras que têm diferentes significados dependendo da área de especialização. Percebemos que primeiramente necessitamos de concordar com as definições e, para isso, há todo um processo que precisa de ocorrer. Nesse sentido, organizamos um  workshop sobre a perspetiva do utilizador em relação a skill (habilidade) das previsões climáticas.

Qual é a sua avaliação da última Assembleia Geral?

Eu acho que a Assembleia Geral foi muito além das expectativas. Foi realmente bom. O esforço da SOGRAPE na organização foi incrível. Para mim, o principal objetivo da assembleia geral é construir o grupo. A parte social está muito além dos objetivos técnicos que apresentámos. A parte social num evento como este, onde todos se esforçam, se investem recursos e se viaja de diferentes locais para se juntar noutro é maravilhoso. Estou muito feliz com percurso que o projeto está a desenvolver.